ALT + TAB = síndrome da atenção descentralizada.

Categoria: Vida de empreendedor
Por: Cíntia Santana

Não consigo trabalhar com o MSN ligado. #prontofalei

A partir do momento que a janelinha laranja começa a piscar no canto direito da tela, sinto-me altamente pressionada a clicar. Mesmo sabendo que o papo pode ser banalidade.

“E se for sério?”, abro a janela, quase ansiosa.

A angústia é tamanha que eu não me limito a perder o foco ou a me desconcentrar.

Clicar ali vira uma questão muito mais urgente que tudo o que eu estava fazendo.

“Alguém me chama. O que será?”.

E o pior é que, como MSN e Skype passaram a ser plataformas de trabalho, fica difícil escapar.

Por um tempo, tentei usar a estratégia do “Ocupado”. Não funcionou. Talvez porque esse conceito não seja muito concreto na sociedade pós-moderna-interativa-multiplataforma. Devemos todos ser plurais: “Sei que você está ocupado, só quero fazer uma perguntinha sobre a festa de ontem”.

Outra tentativa foi usar o status “Ausente”, igualmente inútil. A malandragem já está tão ultrapassada que todos sabem que você só está querendo dizer, na linguagem pós-moderna, que está ocupado.

Há ainda quem se mantenha invisível. Ou quem crie um perfil profissional e outro particular. Essas duas últimas técnicas podem ser boas alternativas para quem é “mono-tarefa” como eu.

Mas o problema não está nas pessoas. Está no sistema. A cada minuto o Outlook me mostra, sutil e sorrateiramente: “Você tem uma nova mensagem”. Impossível não manter o mouse ali em cima por alguns instantes, ao menos para ter uma prévia do assunto. Lá se foi meu foco outra vez.

E o mesmo se repete incontáveis vezes a cada dia. (Já perdi as contas de quantas vezes usei o ALT + TAB somente enquanto escrevia este artigo).

A pressão por resultados nos leva a assumir uma postura multi-tarefa diante da vida. E a condicionar-nos, bem pavlovianamente, à perda de foco, à qual dei o apelido carinhoso de “síndrome de atenção descentralizada”.

Admiro pessoas que conseguem ver televisão, ouvir música, atender o celular, jogar Nintendo DS e comer um Big Mac ao mesmo tempo. Tipo meus sobrinhos de 5 anos.

Se você consegue, parabéns. Eu não vim com esse chip.

Sou a favor da atenção integral e centralizada: a uma conversa, a um raciocínio, a um banho relaxante, a uma leitura, a um filme, a uma lembrança.

Dedicar-me a cada momento. Dar a ele sua devida importância. Estar 100% ali.

Utopia? Talvez, mas…

Peraí, tem alguém me chamando no GTalk. Já volto.

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