Dias mortos.

Categoria: Vida de empreendedor
Por:
Cíntia Santana

Tem dia que é assim, não tem? Morto.

Você rende pouco, não faz metade do que deveria e, ainda assim, está exausto.

Repare que os dias mortos começam sem foco. Você abre o e-mail, responde um ou outro, lê uma piada, que linka com um vídeo engraçado. Pronto. Foram-se duas horas.

Aí já é quase almoço, né? Não dá tempo de mergulhar de verdade naquela pendência. Então você entra no Twitter rapidinho, só para ver as quentinhas do dia.

Uma coisa puxa a outra, e você se depara com alguém da sua rede de amigos muito ativo socialmente. Resolve ver o profile. Vê que o cara é incansável, daqueles que obviamente posta do smartphone (que você ainda não tem, mas já se convenceu de que necessita. Urgente.).

Os (milhares de) links são sobre assuntos diversos: última entrevista com Bill Gates; matéria da The Economist que mostra o crescimento do mercado agrícola no cerrado brasileiro; comentários nas fotos do jantar de ontem com a galera do escritório; links da last.fm e trechos de músicas de grupos que você nunca viu mais gordos; entrevista com o gênio de 13 anos que já tem doutorado em Harvard; confirmação de presença no happy hour de hoje.

E você ali, sentindo-se um latifúndio improdutivo.

Se for mulher, pior: o sentimento de incompetência é somado à baixa auto-estima. “A filha da mãe faz tudo isso e ainda consegue estar com unha e cabelos impecáveis nas fotos”.

Hora de almoçar. Papo vai, papo vem, e você distante.

Pensa onde pode procurar referências para mostrar que você também tem conteúdo.

Seus amigos falam de um restaurante ótimo que visitaram no fim de semana, contam de uma oportunidade de investimento imobiliário, explicam didaticamente como ganhar dinheiro na bolsa.

“Bobagem. Preciso de conteúdo!”.

Você entra na panela de pressão e, sozinho, tranca-se ali.

Passa a tarde procurando coisas interessantes. Navega no site da Veja, da Exame, no blog do Google, no Brainstorm#9 e acaba se distraindo no Youtube. Foram-se 3 horas.

Agora não dá mais tempo de megulhar naquela pendência de verdade. Fica para amanhã.

Dias mortos.

Para não deixar isso acontecer?

Decida sair da panela de pressão.

Você se sente pressionado a ter, a fazer, a saber.

Dedique-se a ser.

Aprenda o que você gosta de fazer, o que você tem de bacana para dividir, o que você já tem e pode usar como diferencial no seu trabalho.

O resto vai ser natural.

Mas, agora, relaxe.

Não dá tempo de mergulhar nessa pendência.

Entre aí no Facebook e amanhã você pensa nisso.

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